Review: Borderlands 4 entrega o capítulo mais ambicioso da série com ação refinada

Borderlands 4 chega como a tentativa mais ambiciosa da Gearbox em mais de uma década, buscando transformar a série em algo maior do que o próprio legado. Com lançamento multiplataforma e foco declarado em campanha cooperativa, o jogo aposta em uma narrativa expansiva, personagens carismáticos e um ritmo de ação explosiva que tenta equilibrar o humor tradicional da franquia com um escopo mais cinematográfico. No gênero looter-shooter, Borderlands sempre foi referência, e aqui a intenção é clara: entregar uma experiência que fale tanto com veteranos quanto com novos jogadores que buscam algo moderno, polido e com personalidade.

Jogabilidade que mantém a essência, mas finalmente evolui

Quando o assunto é jogabilidade, Borderlands 4 abraça o que funcionou, mas dá passos que a comunidade já pedia há anos. O ritmo é mais dinâmico, com arenas que incentivam movimentação constante, habilidades que reagem melhor à construção do personagem e armas que finalmente parecem pertencer a um sistema moderno, cada tiro soa mais pesado, cada combinação de modificadores é mais expressiva e cada encontro com inimigos traz variação real.
Há uma sensação de fluidez que faltava nos capítulos anteriores. A introdução de uma árvore de habilidades mais flexível permite experimentação sem punição, enquanto o sistema de loot passa por um refinamento inteligente: menos entulho, mais armas memoráveis. Ainda é Borderlands, caótico, exagerado, colorido, mas agora com mecânicas que dialogam com shooters atuais e evitam a sensação de repetição que antes surgia rapidamente.


Uma direção de arte mais madura sem abandonar o estilo cartunesco

A identidade visual da franquia sempre foi um ponto forte, e aqui ela retorna mais detalhada, mais viva e mais consciente do que quer comunicar. O cel-shading clássico ganha profundidade com sombras mais densas, efeitos de luz mais sofisticados e cenários que variam entre o techno-apocalíptico e o surreal estilizado que define Pandora e seus arredores.
Tecnicamente, o jogo faz bom uso das plataformas atuais: texturas mais nítidas, maior variedade de inimigos e efeitos de partículas que dão impacto aos combates. O resultado é um equilíbrio interessante entre animação cartunesca e detalhes que reforçam a sensação de escala, especialmente nas missões principais.

Trilha sonora e dublagem reforçando atmosfera e ritmo

A trilha sonora acompanha a filosofia do jogo com intensidade e irreverência. Misturando rock, eletrônica e temas mais atmosféricos, ela funciona bem tanto em momentos de ação quanto nos trechos narrativos. A dublagem, por sua vez, entrega atuações energéticas, especialmente dos vilões e aliados mais excêntricos, marca registrada da série.
Apesar disso, algumas cenas parecem depender demais da trilha para transmitir emoção, o que evidencia que parte da narrativa ainda se apoia mais no estilo do que em profundidade dramática.


Desempenho sólido, mas não perfeito

Borderlands 4 chega com um desempenho estável nas plataformas atuais, mantendo boa taxa de quadros mesmo em combates com dezenas de inimigos e explosões ocupando metade da tela. Porém, alguns bugs pontuais aparecem: inimigos que travam em animações, momentos de carregamento tardio de texturas e pequenas quedas de FPS em áreas mais abertas. Nada que comprometa a experiência geral, mas suficiente para lembrar que o jogo pode receber mais polimento com patches iniciais.

Veredito: Explosão de personalidade com acertos e tropeços

Borderlands 4 é, sem dúvida, a entrada mais ambiciosa da franquia. Ele moderniza sistemas, melhora ritmo, amplia a narrativa e entrega mais variedade visual, ao mesmo tempo em que mantém o DNA caótico que fez a série conquistar tanta gente. Ainda assim, não escapa de certos problemas já tradicionais: algumas piadas não funcionam, os picos de repetição podem aparecer e a narrativa poderia ousar mais em profundidade.
O saldo, porém, é positivo. Borderlands 4 sabe divertir, sabe surpreender e sabe quando intensificar a ação e isso ainda o coloca à frente de muitos looter-shooters atuais.

Prós:

  • Ação fluida;
  • Arsenal mais interessante;
  • Direção de arte refinada;
  • Coop viciante;
  • Performance consistente.


Contras:

  • Narrativa que poderia ir mais fundo;
  • Momentos repetitivos;
  • Bugs leves que surgem em áreas específicas.
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