Dragon Quest I & II HD-2D Remake chega como uma daquelas propostas que misturam respeito absoluto ao passado com o desejo de apresentar um clássico para uma nova geração. A Square Enix traz de volta os dois primeiros capítulos da franquia de JRPG mais tradicional do mercado, agora com o visual HD-2D que se tornou marca registrada após Octopath Traveler e Live A Live.
O jogo mantém seu DNA original, mas busca entregar uma experiência moderna sem romper com o que fez esses títulos se tornarem pilares do gênero.
Jogabilidade
A jogabilidade segue o modelo clássico de RPG por turnos, sem pressa de agradar quem gosta de batalhas explosivas. Aqui, o ritmo é mais calmo, quase meditativo, e isso faz parte da proposta. A Square Enix ajustou sistemas para tornar a progressão menos travada, mas sem abandonar o charme da época: grinding ainda existe, exploração continua sendo o motor da aventura e o mapa recompensa curiosos.
Os menus ficaram mais organizados, as batalhas fluem melhor e a navegação entre cidades e masmorras ficou mais clara. Pequenas melhorias de qualidade de vida ajudam a suavizar a experiência, mas o espírito de “JRPG raiz” permanece. É um remake que respeita o tempo dos jogos originais para o bem ou para o mal.

Gráficos e Direção de Arte
O destaque absoluto é o visual HD-2D. Esse estilo combina sprites 2D com cenários tridimensionais, iluminação moderna e profundidade de campo, criando uma estética que é simultaneamente nostálgica e sofisticada.
A direção de arte reforça a sensação de aventura clássica, mas com um cuidado técnico que não existia nos anos 80. A arte não está ali só para ficar bonita, ela ajuda a dar vida às cidades, florestas, castelos e inimigos, tornando o mundo mais acolhedor e expressivo. É um remake que entende que atualizar o visual não é apenas polir gráficos, mas reinterpretar a atmosfera.

Trilha Sonora e Dublagem
As trilhas clássicas de Koichi Sugiyama retornam em versões reorquestradas, mantendo os temas tradicionais enquanto adicionam mais corpo e espacialidade. As músicas cumprem um papel fundamental: ajudam a trazer aquele clima de jornada heroica que Dragon Quest sempre carregou.
A adição de dublagem melhora bastante o envolvimento. Para uma franquia que sempre se apoiou mais no texto do que em atuações, ouvir personagens com voz dá outra dimensão à narrativa, especialmente para novos jogadores.
Desempenho e Estabilidade
No geral, o desempenho é sólido. Nas plataformas mais fortes, o jogo roda de forma estável, com FPS consistente e carregamentos rápidos. Já no Switch, a experiência é boa, mas não isenta de limitações, especialmente a falta de opções como cross-save e upgrade automático entre gerações, o que incomoda quem comprou o console novo esperando transição suave.
Até o momento, não há relatos de bugs graves, mas como todo remake moderno, correções futuras podem lapidar ainda mais a performance.
Veredito
Dragon Quest I & II HD-2D Remake é um retorno cuidadoso, respeitoso e bem realizado aos primórdios da franquia. Ele não tenta reinventar o que já funcionava, mas atualiza o essencial para torná-lo mais acessível ao público atual.
É um jogo que sabe exatamente quem é, um JRPG clássico, mas com roupa nova e boas melhorias. Não é para quem busca combates frenéticos ou sistemas ultra complexos; é para quem gosta de aventura, exploração e charme retrô.
Vantagens
- Direção de arte em HD-2D que dá nova vida aos clássicos;
- Trilha reorquestrada e dublagem que melhoram a imersão;
- Ajustes de qualidade de vida sem perder a essência original;
- Fluidez e modernização sem exageros.
Desvantagens
- Algumas mecânicas envelheceram e aparecem mesmo com o remake;
- Ritmo lento pode espantar quem está acostumado com RPGs modernos;
- Grinding ainda faz parte da experiência;
- Ausência de recursos como cross-save em plataformas da Nintendo.







