Em uma nova entrevista, Hideo Kojima falou abertamente sobre OD, seu enigmático jogo de terror em parceria com a Xbox, e fez uma das declarações mais sinceras da carreira: nem ele sabe se o projeto vai funcionar na prática. Segundo o diretor, OD é “algo completamente diferente” de um jogo de terror tradicional e tão experimental que o próprio time ainda não tem certeza de como o público vai reagir.
A fala veio em uma conversa com o portal japonês ananweb, traduzida por veículos como Automaton, Wccftech e outros. Nela, Kojima afirma: “Não posso dizer exatamente o que é ainda, nem sei se vai dar certo”, deixando claro que OD está em um território arriscado até para os padrões de quem já criou coisas como Metal Gear Solid e Death Stranding.
Quando o próprio Kojima assume que está em território desconhecido
Kojima explicou que, embora já tenha feito jogos “como nenhum outro”, como os de furtividade e o próprio Death Stranding, os sistemas por trás ainda seguiam estruturas familiares aos games tradicionais. Em OD, a ambição é diferente: o estúdio tenta mudar o modelo de serviço “desde a base”, o que ele mesmo descreve como um desafio enorme.
Essa fala reforça que OD não é apenas “mais um jogo de terror”. O diretor comenta que muita gente pode olhar o trailer e achar que se trata de um horror convencional, mas insiste que “é algo completamente diferente de um jogo de terror padrão”. Ele também revelou que o trailer de OD foi “cheio de pistas” e que, se o público prestar atenção e “pensar bastante”, pode conseguir deduzir como o jogo realmente funciona.
Um projeto de terror que quer mexer até no modelo de serviço
OD está sendo desenvolvido em parceria com a Xbox e usa intensamente tecnologia de nuvem, o que faz parte dessa tentativa de criar um “formato de serviço diferente” dos games atuais, segundo o próprio Kojima. Em vez de apenas inovar na narrativa ou na estética, o jogo aparentemente busca reimaginar a forma como o público consome e interage com o conteúdo ao longo do tempo.
Outros portais destacam ainda que Kojima enxerga OD como um possível ponto de virada dentro do horror, algo que pode até “reescrever” o gênero, mas que inevitavelmente corre o risco de dividir o público entre amor e rejeição. O próprio diretor já comentou em entrevistas anteriores que esse tipo de projeto pode ser melhor compreendido “10 ou 20 anos depois”, reforçando o caráter de aposta de longo prazo.
Entre amor e rejeição, o tipo de jogo que não quer ficar no meio-termo
Quando um dos nomes mais influentes da indústria admite que não sabe se o próprio jogo vai funcionar, a mensagem é clara: OD nasce como uma experiência de alto risco criativo. Em um cenário dominado por sequências seguras, remakes e fórmulas testadas, o projeto se posiciona quase como um manifesto, a ideia de que ainda vale a pena arriscar em algo que pode falhar justamente por tentar ser diferente demais.
Para os jogadores, a sensação é ambígua: por um lado, é empolgante saber que Kojima está tentando outra vez mexer na estrutura do que entendemos como “jogo de terror”; por outro, é impossível ignorar o alerta vindo do próprio criador. OD pode se tornar um marco experimental respeitado por anos ou virar um caso curioso de projeto que ousou demais.
No fim, é exatamente isso que parece atrair tanta atenção ao título, OD não quer apenas ser bom, quer ser diferente, mesmo que isso signifique correr o risco de não ser compreendido de imediato. E, vindo de Kojima, essa talvez seja a promessa mais honesta e intrigante que os fãs poderiam ouvir.







